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Data: 18/5/2017

Apesar de sinal melhor no Finame, consultas ao BNDES aprofundam queda
 
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fez questão de frisar ontem que há um conjunto de sinais de curto prazo apontando para perspectiva de melhora no nível da atividade econômica do país. Um desses sinais seria a melhora nas aprovações na linha do Finame. Os dados relativos ao desempenho do primeiro quadrimestre ainda mostram que as consultas ­ primeira etapa no pedido por recursos e termômetro do apetite das empresas por novos investimentos ­ ainda estão longe de decolar.

Em abril, as consultas ao banco de fomento totalizaram RS$ 6,316 bilhões, menos da metade do observado em abril do ano passado, R$ 14,836 bilhões, segundo série mensal disponibilizada pelo banco, a preços constantes. A queda foi de 57,4% nessa comparação. Pela mesma série, é possível observar que, na comparação com março deste ano, quando somaram R$ 11,491 bilhões, as consultas em abril caíram 45%. No acumulado entre janeiro e abril, as consultas somaram R$ 27,477 bilhões, 27% abaixo dos quatro primeiros meses do ano passado.

Já os desembolsos somaram R$ 21,4 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, 15% abaixo de igual período de 2016. Apesar do resultado, o BNDES destacou que há redução no ritmo de queda dos desembolsos, já que na primeira metade do ano passado a queda foi de 42%, enquanto no segundo semestre de 2016 o tombo foi menor, de 28%. Agora, segundo o banco, a queda de 15% no primeiro quadrimestre manteve a tendência de suavização do recuo.

Mas o discurso do banco ainda não encontra eco completo no mercado. Nelson Rocha Augusto, presidente do Banco Ribeirão Preto, afirmou que os dados divulgados ontem mostram "um quadro horroroso" da demanda por crédito e da atividade, apesar de apontarem o início de uma recuperação dos investimentos, principalmente no setor agrícola.

"Os números foram muito feios", diz, a respeito de dados como a queda de 15% nos desembolsos nos quatro primeiros meses do ano e o tombo de 27% nas consultas na mesma comparação. Para o economista, esses números "não trazem qualquer surpresa" e refletem a crise que "vem se arrastando há três anos".

Os dados divulgados ontem pelo banco mostram que o recuo das consultas foi puxado pela infraestrutura. Em abril, as consultas para esse setor totalizaram R$ 2,175 bilhões. O valor é 69% a menos do que observado em abril do ano passado (R$ 7,019 bilhões) e 66,4% inferior ao de março deste ano (R$ 6,474 bilhões). Entretanto, no caso da indústria, as consultas somaram R$ 1,808 bilhão em abril deste ano. O valor é 64,8% acima de março deste ano (R$ 1,097 bilhão), mas é 61,1% inferior ao de abril do ano passado (R$ 4,656 bilhões).

No caso da agropecuária, as consultas somaram R$ 1,172 bilhão, 17,6% abaixo de março (R$ 1,424 bilhão); e 10,7% inferior às de abril do ano passado (R$ 1,313 bilhão). Já em comércio e serviços, as consultas totalizaram R$ 1,161 bilhão em abril deste ano, 53,5% menores do que as de março (R$ 2,497 bilhões); e 37,2% inferiores às de abril do ano passado (R$ 1,849 bilhão).

Apesar dos dados das consultas, Rocha Augusto vê algum início de recuperação nos números, em linha com dados como a alta trimestral de 1,12% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC­Br). O principal indício de que o "investimento começa a fazer uma inflexão" foi a alta de 38% das aprovações do Finame, a linha de financiamento de máquinas e equipamentos, entre os quatro primeiros meses deste ano e do ano passado. Esse crescimento, diz, está ligado principalmente à agropecuária e reflete tanto a queda dos juros e da inflação quanto a alta do investimento estrangeiro direto e das expectativas.

Os desembolsos do BNDES Finame, financiamento do BNDES voltado para máquinas e equipamentos, mostraram recuo de 10% nos primeiros quatro meses do ano, ante igual período do ano passado, para R$ 5,468 bilhões. Entretanto, a mesma linha acumulou R$ 6,7 bilhões em aprovações entre janeiro e abril ­ etapa anterior ao desembolso ­, alta de 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em abril, a Finame aprovou R$ 2,1 bilhões em crédito, 50% a mais do que no mesmo mês de 2016, observou o banco. Para o BNDES, estes resultados positivos na linha podem ser considerados como de possíveis sinais de recuperação da economia.

O BNDES informou que, sem considerar máquinas agrícolas, ônibus e caminhões, as aprovações de crédito para demais bens de capital saltaram 159% nos quatro primeiros meses do ano, também na comparação com o mesmo período do ano passado. As operações aprovadas neste segmento somaram quase R$ 2,3 bilhões no primeiro quadrimestre de 2017.

Entre os setores que procuraram crédito junto a esta linha de crédito no banco, a indústria de transformação totalizou R$ 1,4 bilhão em empréstimos da Finame aprovados entre janeiro e abril. O valor é quase três vezes maior que os R$ 468,8 milhões registrados nos primeiros quatro meses do ano passado, notou o banco.

Para o BNDES, as aprovações da Finame servem de termômetro dos investimentos que serão feitos na economia no curto prazo, já que costumam se converter em desembolsos rapidamente: a média é de menos de duas semanas. As operações dessa linha são indiretas, com o crédito do BNDES repassado por bancos credenciados, que são os responsáveis pela análise e o risco dos contratos. "O crescimento das aprovações nessa linha sugere um movimento de retomada da ocupação da capacidade instalada das empresas por meio de modernização de maquinário", afirmou o banco.

Para o BNDES, recentemente as expectativas quanto à recuperação da economia brasileira apresentaram alguma melhoria, sugerindo cenário benigno à frente. O banco notou que a inflação oficial, apurada pelo IPCA, "continua a surpreender para baixo", o que "vem reduzindo expectativas de mercado para os níveis de taxas de juros ao final deste e do próximo ano, com efeitos expansivos sobre o investimento e o nível de atividade", avaliou o banco.

Nesse contexto, a instituição espera que a demanda por recursos se recupere gradativamente ao longo do ano. Os desembolsos da linha BNDES Progeren, destinado a financiamento para capital de giro, totalizaram R$ 2,2 bilhões em desembolsos no primeiro quadrimestre do ano, 339% acima de igual período em 2016.

Para Rocha Augusto, são injustas as críticas contra a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, acusada por empresários de "fechar o caixa" da instituição. "O BNDES teve folga de caixa e até devolveu antecipadamente dinheiro para o Tesouro (R$ 100 bilhões)", diz ele, afirmando que dados do Banco Central e da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) também mostram queda nos empréstimos no período. Para o economista, além do "apetite por crédito", faltam "projetos mais maduros" das próprias empresas e que as reformas propostas pelo governo sejam aprovadas.

Fonte : Valor Econômico/Alessandra Saraiva e Estevão Taiar