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Data: 18/5/2017

Montadora lança o Argo para recuperar espaço perdido
 
No ano passado, em plena crise, a Fiat Chrysler lançou três modelos de carros completamente novos - o compacto Mobi, a picape Toro e o utilitário esportivo Jeep Compass. No dia 30, o grupo vai apresentar mais uma novidade, o Argo, um veículo por meio do qual a Fiat fará uma completa renovação de famílias de carros, aposentando, inclusive, a linha Palio, no mercado há 20 anos.

Por que as montadoras enchem o mercado de novidades mesmo quando as vendas são fracas? “Um novo projeto de carro é uma decisão tomada três anos antes do lançamento e atrasar mais ainda pode ser pior”, diz Stefan Ketter, presidente da Fiat Chrysler na América Latina há um ano e meio.

No balanço financeiro mundial de 2016, a direção da Fiat Chrysler, chamada de FCA desde 2014, ano da formação desse conglomerado ítalo-americano, aponta os recentes lançamentos como um dos motivos da melhora dos resultados da companhia na América Latina. No ano passado, a operação latino-americana registrou um Ebitda (lucros antes de juros, impostos e depreciação) de € 5 milhões ante o prejuízo de € 87 milhões em 2015.

Ketter discorda de quem acha que há excesso de marcas de carros no Brasil hoje. “Quantas marcas existem na China e na Europa? Isso é totalmente normal porque nem todas competem nos mesmos segmentos”, afirma o executivo que teve, entre as principais atribuições no comando da companhia na América Latina, a missão de inaugurar em Goiana, Pernambuco, uma fábrica com capacidade para produzir 250 mil veículos por ano, um dos mais ousados projetos industriais do setor no Brasil. Ketter fala com orgulho sobre a fábrica pernambucana. Considera o empreendimento exemplo para o grupo e para o mundo.

O Argo é a arma da Fiat para recuperar o espaço de mercado que perdeu em 2016. Com queda de vendas em torno de 30%, a marca perdeu 2,4 pontos percentuais de participação. Mesmo assim, os números somados consagram a FCA como a fabricante que mais vendeu carros no mercado brasileiro em 2016, com cerca de 18% do total de veículos leves licenciados no país. No sentido contrário, em 2016 a marca Jeep conseguiu crescimento de quase 50% em relação a 2015.

Ketter deixou São Paulo aos 17 anos de idade para estudar engenharia em Munique, na Alemanha, de onde seguiu para ser estagiário na sede da BMW. Passou também pelo grupo Volkswagen, na Alemanha, e depois no Brasil, para cuidar da área de qualidade da montadora alemã. Em 2004, começou na Fiat, na Itália, onde ocupou lideranças nas áreas de qualidade e manufatura. Hoje ele divide o tempo entre São Paulo, sede do grupo; Betim (MG), onde fica a maior fábrica da Fiat na região; Pernambuco; e viagens pela região.

O executivo não gosta da ideia de um escritório e mesa fixos. Por isso, implantou na companhia um modelo de escritório aberto, inspirado no exemplo do Google. O conceito inclui não só as áreas administrativas como os espaços de reuniões com fornecedores. “Eu entro nesses espaços, discuto com os engenheiros; não existe hierarquia”, afirma. Para o executivo, a maior criação de valor é pela integração. Ele lembra que o smartphone agregou valor porque integrou coisas que já tínhamos. “A crise é sempre uma vantagem porque nos ajuda a reformular a empresa. É como numa novela, quando o personagem vai até a cozinha pegar o açúcar e começa a pensar na vida”.

Fonte : Valor Econômico/Marli Olmos