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Data: 12/9/2017

Desafio para reciclagem de baterias do carro elétrico
 
Com os carros elétricos passando a fazer parte da cultura automobilística, as montadoras aceleram para resolver uma grande questão ambiental: o que fazer com as baterias de íons de lítio usadas para movê-los, depois que elas se esgotarem.

Os milhões de pequenas baterias de íons de lítio já usadas em tudo que vai de smartphones a escovas de dentes eletrônicas, consomem muitos recursos da maneira como são hoje – cerca de US$ 2 bilhões em metais e minerais somente em 2015, segundo a consultoria Roskill. Quase todas acabam em aterros sanitários ou permanecem nas casas das pessoas em aparelhos que não são mais usados.

As baterias usadas nos carros elétricos são muito maiores, duram de oito a dez anos e vão responder por 90% do mercado de baterias de íons de lítio até 2025, prevê a Roskill, elevando em quatro vezes a demanda por lítio e mais que dobrando a demanda por cobalto – dois dos seus elementos essenciais. O preço do cobalto já subiu mais de 80% este ano.

No entanto, embora a reciclagem das pequenas baterias de íons de lítio não esteja ainda disseminada, várias empresas acreditam que isso será diferente para os carros elétricos e estão buscando meios de lucrar com a mina de ouro em que as baterias de automóveis poderão se transformar.

Desde 2006, a Umicore da Bélgica é uma das poucas companhias a reciclar baterias de íons de lítio por meio de um processo de derretimento e lixiviação com produtos químicos, para a recuperação de metais. Ela agora afirma estar operando um processo-piloto de reciclagem de baterias de carros elétricos, em preparação para os números “consideráveis” que deverão entrar no mercado em 2025.

Um dos problemas é que as baterias de íons de lítio desses carros usam uma variedade de processos químicos, tornando difícil o desenvolvimento de uma reciclagem padronizada. “Cada um está usando sua própria formulação”, diz Linda Gaines, analista do Center for Transportation Research do Laboratório Nacional Argonne dos Estados Unidos. “Nas baterias de chumbo-ácido o processo é bem mais simples.”

A OnTo Technologies, do Oregon, quer contornar isso produzindo materiais de eletrodos de baterias de qualidade diretamente a partir de baterias já usadas, em vez de decompor os componentes individuais. “Até 2025 essa certamente será uma indústria vigorosa”, afirma o fundador Steve Sloop. “Entre agora e 2020, aprender como praticar isso e colocar esses materiais de volta ao processo de produção é que será realmente importante.”

A Li-Cycle, uma start-up canadense especializada em reciclagem, diz que para tornar o processo lucrativo é preciso reciclar todos os materiais das baterias. Ela afirma poder reciclar todos os tipos de baterias de íons de lítio, recuperando até 90% dos materiais, incluindo o lítio, o cobalto, o cobre e o grafite.

“Você tem o valor econômico completo... e é isso que possibilitará ao processo ser lucrativo”, diz Ajay Kochhar, fundador e executivo-chefe da companhia. “Você precisa olhar para ele em termos de todos os outros componentes valiosos presentes, para realmente entender o que vai tornar esse mercado possível.”

Kochhar estima que mais de 11 milhões de toneladas de baterias de íons de lítio gastas serão descartadas até 2030. A companhia quer processar inicialmente 5 mil toneladas ao ano, chegando em algum momento em 250 mil - volume similar ao de uma unidade de processamento de lítio extraído em mineração, aponta ele.

As montadoras também estão de olho na reciclagem de baterias. Em um tuíte postado em julho, Elon Musk, o fundador da Tesla Motors, disse que a unidade de baterias da companhia em Nevada, a Gigafactory, “será totalmente movida por energia limpa quando concluída & inclui a reciclagem de baterias”.

Em maio, um protocolo corporativo uniu dois altos executivos da Tesla Motors, JB Straubel e Andrew Stevenson, à Redwood Materials, uma empresa que afirma em seu site na internet que e está desenvolvendo uma tecnologia avançada para a “reciclagem de materiais, refabricação e reúso”.

“Os governos farão alguma coisa, pois não permitirão que as baterias dos carros elétricos terminem em aterros sanitários”, diz Jim Greenberger, diretor-executivo da NAATBatt International, uma associação americana de fabricantes de baterias. “Com mais e mais veículos chegando ao mercado, e mais e mais chegando ao fim de sua vida útil, aumenta o perigo de isso acontecer.”

A China e a União Europeia já implementaram regras que responsabilizam as montadoras pela reciclagem de suas baterias.

Mesmo assim, há a questão a disposição do setor de usar materiais reciclados, observa Gaines. Os fabricantes de pneus ainda relutam em usar borracha reciclada, diz ela. “Historicamente sempre houve uma relutância no uso de materiais reciclados, em parte por questões de confiabilidade.” As baterias de chumbo-ácido, 90% das quais são recicladas, são o “exemplo perfeito de como isso pode funcionar”, afirma.

Li-Cycle, do Canadá, que é especializada, diz que é preciso reciclar todos os materiais da bateria para o processo ser lucrativo.

Fonte : Valor Econômico