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Data: 13/9/2017

Mudanças em carros desafiam engenheiros
 
O processo de criação de carros autônomos já começou. O grupo BMW trabalha numa fase de desenvolvimento que permite ao motorista tirar as mãos do volante por um breve período de tempo sem comprometer a rota. No próximo passo, o condutor poderá desviar completamente a atenção da pista e realizar outras tarefas. O automóvel será auxiliado por câmeras que vão monitorar os demais veículos e objetos ao redor. Na etapa seguinte, o motorista poderá até dormir em seu assento enquanto o veículo o conduz e, a partir de 2030, segundo previsões da indústria, ninguém vai precisar de carteira de habilitação para entrar num carro autônomo, que se movimentará sozinho.

Nesse processo de mudança, o doutor em engenharia Marcelo Massarani tem uma missão dupla. Ao mesmo tempo em que participa dos fóruns de discussões que movimentam os técnicos na indústria automotiva ele também ministra aulas a estudantes da escola Politécnica da USP, que, quando formados, terão de projetar peças e automóveis muito diferentes dos que circulam pelas ruas hoje.

‘Há uma ruptura do conceito de mobilidade”, afirma Massarani, coordenador do Simea, simpósio de engenharia automotiva que será realizado hoje e amanhã em São Paulo. Além de discutir o automóvel do futuro, os engenheiros automotivos também precisam lidar com a mudança de hábitos de transporte e o desencanto das novas gerações em relação ao que já foi desejo de consumo. “Meus alunos não têm o sonho de ter um carro”, diz.

Mas ao mesmo tempo em que a mudança de paradigma traz várias incógnitas, Massarani entusiasma-se com a possibilidade de a próxima política industrial para o setor, a chamada Rota 2030 abrir mais espaço para a pesquisa e desenvolvimento locais, o que pode valorizar os engenheiros brasileiros. Para ele, esta é, inclusive, a chance de estimular parcerias entre indústria e a área acadêmica. Massarani diz, ainda, que o futuro da matriz energética dos veículos produzidos no Brasil tende a ser uma das principais discussões daqui para a frente.

Entre os principais temas do simpósio, um evento anual, realizado há mais de 30 anos pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), estão o futuro da mobilidade, o veículo das próximas gerações e novas políticas para o setor.

Fonte : Valor Econômico/Veículos Marli Olmos