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Data: 10/10/2017

De carro a caminhão, Mercedes-Benz volta a sorrir
 
Poucos minutos depois de anunciar, ontem, um novo programa de investimentos no Brasil, de R$ 2,4 bilhões entre 2018 e 2022, o presidente da Mercedes-Benz na América Latina, Philipp Schiemer, sentou-se no meio do gigante showroom de caminhões da fábrica de São Bernardo do Campo para posar para uma foto e disse estar aliviado. Um ano atrás a montadora anunciou ter 2 mil trabalhadores a mais e ofereceu gratificação de R$ 100 mil para quem deixasse a empresa. “Hoje não sobra nenhum”, diz. Mais tarde, não muito longe dali, em São Paulo, o novo presidente da Volkswagen na América do Sul, Pablo Di Si, apresentou-se a uma plateia de executivos dizendo que “sinais claros de um ciclo muito mais positivo na economia levam a companhia a prever um crescimento de 40% no mercado de veículos leves nos próximos quatro anos. Isso, disse, levará à necessidade de investimentos na cadeia de fornecedores.

A aparentemente consistente recuperação das vendas de veículos no mercado interno contagia dirigentes das duas montadoras alemãs, respectivamente as maiores produtoras de caminhões e de automóveis do país. Tanto Schiemer quanto Di Si citaram a aprovação do teto de gastos públicos e o controle inflacionário, como principais fatores de um novo cenário macroeconômico que os tranquiliza para prever investimentos e projetar crescimento. Para ambos, à esteira desses dois fatores aparece não apenas na queda nos juros como um câmbio mais favorável para exportar. E para Di Si, a reforma trabalhista deu esperança extra de o Brasil ganhar competitividade no cenário mundial.

Com o programa anunciado ontem, a Mercedes retoma o ritmo de investimentos anterior à crise. O plano de cinco anos iniciado em 2010 foi de R$ 2,5 bilhões. O seguinte envolveu volume menor de recursos - R$ 730 milhões - e um período mais curto - de 2015 a 2018. Os novos recursos vão para as duas fábricas de veículos pesados da empresa no país: a maior, em São Bernardo, que produz caminhões e ônibus, e a de Juiz de Fora (MG), onde são feitas as cabines de caminhões. As duas unidades serão modernizadas. O investimento vai contemplar também renovação da linha de produtos e avanços na tecnologia de conectividade dos futuros modelos.

Desde o início do ano, a média diária de licenciamentos de caminhões no país passou de 126 para 213 unidades, um aumento de 70% que deixa Schiemer otimista em relação aos próximos meses. Desde 2013 a venda de caminhões no Brasil encolheu 70%. À exceção do segmento de extrapesados, que vai expandir-se graças, sobretudo, ao agronegócio, o dinamismo dos últimos meses será, no entanto, insuficiente, para expandir o mercado total em relação ao ano passado, quando foram vendidos 47 mil caminhões. Para este ano, a Mercedes projeta 45 mil.

Para Schimer há, no entanto, fatores de sobra para acreditar que a oferta de crédito começará a chegar aos caminhões mais leves, usados por frotistas menores. Ele aposta, ainda, nas licitações e na recuperação da construção civil para basear a expectativa de uma retomada firme.

No lado dos automóveis, a expectativa é tão grande que Di Si começa a questionar se os fabricantes de peças estão preparados para acompanhar o crescimento. “Como acontece em qualquer crise, a indústria ajustou-se a um novo cenário”, destaca. “Precisamos trabalhar juntos porque não quero perder essa oportunidade”, afirma. “Nosso desejo é desenvolver a indústria no Brasil; por isso é importante que os fornecedores sejam competitivos e possam reagir ao crescimento, que será de no mínimo 8% ao ano”, afirma.

Aos 48 anos de idade, o novo presidente da Volkswagen assume o cargo num momento mais favorável para todo o mercado e também para a própria Volks. Depois de um longo período que juntou excesso de ociosidade, problemas de falta de peças por conta de brigas com um fornecedor e parte da linha de produtos desatualizada, a montadora prepara-se para a retomada.

A maior parte do investimento de R$ 7 bilhões até 2020, anunciado recentemente, servirá para o lançamento de 20 modelos de veículos. O primeiro deles, o hatch Polo, foi apresentado recentemente e o próximo, um sedã derivado chamado Virtus, chegará em janeiro. Além disso, a Volks estuda a impor- tação de veículos elétricos, segundo o executivo designado para substituir o sul-africano David Powels, que, depois de três anos no cargo, deixou o país para ser vice-presidente comercial da Volks na China.

O argentino Di Si está na empresa há pouco tempo. Em 2014 ele foi contratado para ser presidente da Volks na Argentina 26 anos depois de ter deixado seu país. Com uma semana de Brasil, ele chega comunicando-se em português e com nítido conhecimento do que acontece na economia brasileira. Ontem ele proferiu uma palestra inicialmente reservada a Powels. A explicação é simples. Di Si morou no Brasil entre 2000 e 2012, quando trabalhou como diretor de finanças e desenvolvimento de produtos das áreas de máquinas agrícolas e de automóveis do grupo Fiat.

Formado em Contabilidade pela Northwestern University, em Illinois, e graduado pela Harvard Business School, o executivo também viveu 15 anos nos Estados Unidos, onde trabalhou na Kimberly Clark. Mas além dos estudos, a ida aos Estados Unidos tem um motivo curioso. Ele já foi jogador de futebol. Quando era volante do Huracán, de Buenos Aires, ganhou uma bolsa para integrar o time da universidade de Loyola, em Chicago. Hoje ele é torcedor do River Plate, mas futebol é um assunto proibido, principalmente em casa, onde a esposa e os dois filhos são brasileiros.

O futebol lhe serve, no entanto, como inspiração para os negócios. Ele diz, por exemplo, que a Volkswagen é um “grande time” e, por isso, não pode ficar em terceiro lugar, mas sim ganhar o campeonato. A marca perdeu a liderança do mercado brasileiro desde 2000. Mas, segundo Di Si a recuperação do primeiro lugar é um plano para o médio prazo. Mas, por enquanto, ele prefere ficar na torcida pela recuperação consistente do mercado.

Anunciar a volta do segundo turno em algumas fábricas, como fez recentemente a Volks, é algo que não se via nessa indústria há muito tempo. A direção da Mercedes estuda abrir postos de trabalho na fábrica de Juiz de Fora, segundo Schiemer. No comando da Mercedes no Brasil desde meados de 2013, quando a crise começou a dar seus primeiros sinais, o executivo diz que chegou a temer pelo pior no cenário econômico do pais. “Eu sabia que o mercado brasileiro ia um dia melhorar. Mas pensava: ‘será que quando isso acontecer eu ainda estarei aqui?

Desde o início do ano, a média diária de licenciamentos de caminhões passou de 126 para 213 unidades.

Fonte : Valor Econômico/Marli Olmos