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Data: 12/3/2018

Aço duro de roer
 
As notícias para a indústria brasileira nesse início de março não vieram nada boas tanto no plano interno quanto no externo e devem acender um sinal vermelho. No plano interno, o recuo de 2,4% na atividade industrial, revelado pelos números de janeiro da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, recém-publicada, praticamente anulou o crescimento de 3,1% ocorrido em dezembro de 2017, deixando indícios não desprezíveis de que a festejada “recuperação” da indústria em 2017 possa ter sido apenas um artefato estatístico. A origem do artefato pode estar associada ao comportamento de um único setor, a produção de veículos, que pulou 9,6% em dezembro de 2017 e encolheu 7,6% em janeiro último.

Simplesmente, o crescimento de dezembro pode ter sido resultado de uma possível antecipação da produção efetuada pelas montadoras de automóveis, muito provavelmente visando a captação dos incentivos fiscais do regime automotivo cuja vigência se encerraria ao final do ano passado e cuja renovação não havia sido decretada. Dado o grande peso da montagem de veículos, essa exagerada oscilação transmitiu-se ao conjunto da indústria e interferiu nos resultados do ano. De fato, a decomposição setorial do crescimento da indústria em 2017 mostra que, somente em termos diretos, o setor automobilístico está explicando quase 50% da expansão observada. Somando-se o efeito indireto em autopeças, pneus, vidros, e tantos outros setores produtores de componentes, o efeito total da produção de automóveis pode ter alcançado ¾ do acréscimo ocorrido no nível de atividade da indústria de transformação brasileira no ano passado.

Se essa tese é verdadeira, há um cálculo muito simples e muito elucidativo que ajuda a entender a verdadeira conjuntura industrial do momento. Somando-se os 3,1% de dez/17 com os 2,4% negativos de jan/18, a indústria expandiu-se nesse bimestre a um ritmo médio de aproximadamente 0,3% ao mês, valor esse, diga-se de passagem, não muito distinto do verificado nos meses anteriores. Caso ao invés dos 3,1% efetivamente apurados, se considere esse valor médio de 0,3% para o mês de dezembro, o ano de 2017 teria fechado com crescimento industrial muito modesto, inferior a 0,5%. Quer dizer, muito abaixo dos 2,5% registrados pelo IBGE que gerou tantas reações positivas por parte de tantos analistas.

Esses números mais tímidos são até mais consistentes com a virtual ausência de estímulos de demanda e de oferta que vem marcando a trajetória da indústria brasileira desde o tombo recessivo iniciado em 2014. Parece que somente os condutores da política econômica não reconhecem esse diagnóstico. Em vez do empenho político visando desenhar um plano que abra algum espaço para a redinamização da indústria, preferem agir como se a retomada fosse um processo espontâneo, dependente apenas de vontade e retórica oficial. Basta relembrar que, primeiro, tudo se resumia a um problema de confiança que, como se sabe, não é algo que se dissolve apenas com o passar do tempo. Depois veio a tese de que a queda da inflação traria um efeito positivo quando também se sabe que deflações rápidas expressam mais sintomas de recessão do que de recuperação.

Mais recentemente, seria a queda das taxas de juros que teria o condão de beneficiar o sistema produtivo e pavimentar o caminho da recuperação. Enquanto isso, as necessárias medidas de fortalecimento da demanda, de retomada do crédito ao produtor e ao consumidor, de redução dos custos e de aumento da produtividade dentre outras do arsenal de instrumentos que deveria estar sendo manejado ficaram em compasso de espera.

Dentre os espaços disponíveis para ancorar um sopro de alento para a indústria e que permaneceram inexplorados pela política industrial estão as exportações. Evidentemente, dado o perfil estrutural da economia brasileira, não se pode esperar que o setor externo propicie um ciclo de expansão industrial exuberante. Porém, um melhor desempenho exportador certamente poderia atuar como uma centelha disparadora da retomada. A favor dessa ideia está a performance da própria indústria automobilística, que promoveu uma verdadeira explosão das vendas ao exterior com quase 800 mil veículos exportados em 2017, um recorde histórico do setor. Se a indústria tivesse apostado no mercado interno, teria marcado passo pois embora as vendas domésticas tenham apresentado alguma melhora, permaneceram muito longe de qualquer montante expressivo no ano recém-terminado.

No plano externo, após a mo- vida do governo Trump declarando - ou explicitando – uma guerra comercial, o quadro é ainda mais preocupante. Não está claro quais serão os desdobramentos do aumento das tarifas de importação de derivados de aço e alumínio decretado pelo presidente americano. Possibilidades de extensão a outras mercadorias, de retaliações da União Europeia e outros parceiros comerciais relevantes estão todas na lousa nesse momento e somente com uma bola de cristal é possível avançar com segurança. Infelizmente, porém, em qualquer cenário que se desenhe as perdas para o Brasil parecem que serão significativas. Pouco importa que o contexto de aumento do protecionismo já vinha em marcha desde o início da década e já impunha restrições à inserção internacional da indústria brasileira. Uma guerra comercial aberta será mais dolorosa, especialmente para os países que estão em posição inicial frágil e pouco se preparam para os inevitáveis ajustes que se farão necessários. E esse é exatamente o caso do Brasil. Vai ser um aço, quer dizer, um osso duro de roer.

Uma guerra comercial aberta será dolorosa, especialmente para os países que estão em posição inicial frágil.

Fonte : Valor Econômico/David Kupfer