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Data: 21/5/2018

Trabalhador volta a ter força no berço do setor automotivo
 
Como fazem todos os dias, ao longo de toda a semana passada, os empregados da MercedesBenz foram até a fábrica, em São Bernardo do Campo (SP). Mas não passaram do portão principal. Após ouvir as orientações do comando de greve, eles entraram nos ônibus fretados e seguiram o caminho de volta para casa.

A recuperação da atividade na indústria automobilística deu forças ao movimento sindical do ABC para organizar uma greve por reajuste salarial, motivo que há tempos não paralisava nenhuma montadora no país. Num momento de aumento de vendas nos mercados interno e externo a greve já paralisou a Mercedes-Benz, maior produtora de caminhões e ônibus do Brasil, por cinco dias consecutivos.

A paralisação ocorre em meio às negociações do dissídio e além de questões econômicas, como ajuste do salário e participação nos resultados, a pauta de reivindicações dos trabalhadores traz uma novidade: uma espécie de proteção contra mudanças provocadas pela reforma trabalhista. Eles pedem que nenhuma mudança na legislação do trabalho seja aplicada na empresa sem prévia negociação com os funcionários.

Por enquanto, as negociações abrangem só cláusulas econômicas, segundo o sindicato. Na sexta-feira, a entidade submeteu à votação dos grevistas, reunidos em assembleia, uma oferta melhor do que a empresa apresentara no início da negociação. Mas foram surpreendidos. Os trabalhadores rejeitaram a proposta.

Moisés Selerges Junior, diretor do sindicato e funcionário da Mercedes há 33 anos, reconhece que a retomada do setor fortalece o movimento. “Ainda não estamos com a faca e o queijo na mão, mas já conseguimos pegar um pedacinho do queijo”, diz.

Ele atribui o resultado da assembleia de sexta-feira a uma reação natural de operários que amargaram perdas salariais durante três anos de recessão. A fábrica retomando o ritmo é um sinal de que é possível reivindicar mais. Os grevistas pedem reposição de acordo com o INPC, além de aumento real. A empresa aceitou, segundo o sindicato, repassar o índice, mas no lugar de aumento real ofereceu um abono a ser pago numa única vez.

Selerges lembra que os operários da Mercedes ficaram sem repasse do INPC nos salários em 2015 e 2016 e em 2017 receberam o equivalente à metade do índice. “O desejo do trabalhador, agora com a retomada, é recuperar tudo o que perdeu”, diz. A direção da Mercedes informa que não se pronunciará enquanto durarem as negociações.

A última greve que parou a Mercedes, há quase dois anos, foi em protesto contra demissões. A empresa se queixava de um excedente de pessoal que somava mais de 1,8 mil trabalhadores. Lançou, em seguida, um vantajoso programa de demissões voluntárias que oferecia, além dos benefícios tradicionais nesses planos, gratificação extra de R$ 100 mil aos que aceitassem deixar a empresa. Como a crise estava no auge, foi difícil para a empresa alcançar a meta de cortes.

Essa e outras montadoras recorreram várias vezes, durante a crise, a programas que permitem o afastamento temporário do trabalhador ou redução de jornada. Em março de 2016, programas de suspensão temporária (“layoff”) e de redução de jornada envolviam 38,8 mil operários, número equivalente a 30% do total de empregados na indústria automobilística naquele mês.

Hoje, o quadro inverteu-se. A MAN, maior concorrente da Mercedes, tem feito horas extras diariamente e em alguns sábados. De janeiro a abril, a produção de caminhões no Brasil aumentou 54,9% em comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No mercado interno, a demanda reapareceu em vários setores, incluindo o de entregas urbanas de produtos como bebidas.

Mas a força maior vem do agronegócio. O transporte de grãos requer caminhões pesados. Segundo a Anfavea, cresceu 93,2% no primeiro quadrimestre período em comparação com o mesmo período do ano passado e representou 45% dos veículos de carga fabricados no país. Com a greve, a Mercedes tende a perder espaço no mercado para concorrentes que se apressaram para fechar acordos com os sindicatos.

No ABC, a data-base dos metalúrgicos é setembro. Mas as montadoras preferem antecipar as negociações para maio. Este ano já aparecem aumentos reais e valores elevados na Participação nos Lucros e Resultados.

Localizada em São Bernardo, próxima à Mercedes, a Scania, com 4,2 mil empregados, fechou na quinta-feira um acordo que prevê reposição do INPC na database, em setembro, mais aumento real de 2% a partir de janeiro de 2019. O contrato vale por dois anos. A Volvo, com 3,4 mil empregados, vai negociar o dissídio em setembro, mas já fechou acordo que oferece um dos mais atrativos valores de PLR do setor.

A participação nos resultados da Volvo será paga em duas vezes. A primeira parcela, a ser depositada no dia 30, será de R$ 9,5 mil para todos os funcionários. A segunda estará condicionada aos resultados das vendas. A soma das duas parcelas pode chegar, segundo a empresa, a um total de R$ 20 mil. Ambas suecas, Volvo e Scania são especializadas na produção de caminhões das linhas pesada e extrapesada.

Nos bastidores das montadoras, muitos estranham a paralisação na Mercedes, já que o setor mal começou a sair de um longo período de recessão. Durante os programas de “lay-off” muitos metalúrgicos passaram meses afastados do trabalho.

Mas o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC costuma mostra força para organizar greves como a que parou a Mercedes. E costuma puxar acordos, que depois são replicados em outras regiões. Na fábrica de automóveis da Volkswagen, em São Bernardo, conseguiu fechar um acordo válido por cinco anos, que termina em 2019. A previsibilidade garantida nessa negociação permitiu à empresa colocar em prática um ousado programa de investimentos que prevê uma completa renovação de produtos.

Segundo o sindicato, trabalham na Mercedes de São Bernardo 7,5 mil empregados. Segundo Selerges, mais de 5 mil vagas foram cortadas nos últimos anos, principalmente por meio de programas de demissões voluntárias. Apesar de período mais favorável aos trabalhadores, Selerges, mantém uma postura cautelosa nas negociações com a Mercedes, que prosseguem hoje. Segundo ele, a ideia é primeiro garantir as cláusulas econômicas para, então, negociar a questão da proteção contra mudanças previstas na reforma trabalhista. “Como costumo dizer ao pessoal, estávamos na seca. Agora o pasto começou a ficar verde. Mas a vaca ainda dá coice”, diz ele.

A recuperação da atividade na indústria automobilística deu forças ao movimento sindical do ABC.

Fonte : Valor Econômico/Marly Olmos