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Data: 21/5/2018

Negociação sobre carros avança entre UE e Mercosul
 
Negociadores do Mercosul e da União Europeia (UE) aproximaram posições sobre concessões no setor automotivo, algo central para avançarem nas barganhas finais em vista do acordo de livre comércio birregional.

Em reuniões em Bruxelas, encerradas na sexta-feira, os chefes negociadores dos dois blocos só trataram de setor automotivo, onde as demandas europeias de abertura do mercado eram consideradas muito distantes das possibilidades do Mercosul.

A conclusão das discussões, desta vez, é que o Mercosul e a UE mostraram flexibilidade e entraram “na mesma banda de expectativa”. Parâmetros das propostas sobre liberalização do setor automotivo no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai deve ficar entre o que a UE pode esperar e o que o Mercosul pode oferecer, segundo uma fonte.

Em razão disso, os dois blocos planejam anunciar uma rodada completa de negociações, envolvendo todos os temas, no começo de junho em Montevidéu.

A indústria brasileira se mostra otimista. “Depois dessa semana de conversas em Bruxelas, entendo que a pista de pouso para um entendimento no setor automotivo esteja delineada”, diz o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto. “Assim fica muito mais próximo o anúncio de um acordo político de livre comércio Mercosul-UE”.

As posições estavam bem distantes. A UE repetia que a postura do Mercosul era inaceitável. Fontes lembram que o governo brasileiro chegou a acenar com abertura do mercado no prazo de 10 anos para carros europeus, com redução tarifária de 2,5% ao ano até chegar a zero. Mas isso não chegou a ser formalizado depois que a Europa colocou na mesa uma oferta agrícola com cota para carnes, por exemplo, inferior à anterior. Entretempos, a Anfavea pediu prazo de carência para o começo da redução tarifária e prazo de abertura total de até 15 anos.

Agora, além de “parâmetros delimitados” para a barganha no setor automotivo, conta-se no Mercosul com uma cota de 110 mil toneladas para carne bovina com facilidades de maior aproveitando, pelas promessas europeias.

Todo um pacote de medidas deverá assim estar na mesa de negociações em Montevidéu, na próxima rodada de negociações.

Em dezembro do ano passado, em Buenos Aires, negociadores chegaram a discutir uma pequena cota para entrada de veículos elétricos europeus no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai com tarifa preferencial.

Fonte : Valor Econômico/Assis Moreira