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Data: 21/5/2018

CEO da Volkswagen expõe apreensão com o câmbio ao ministro Guardia
 
Pablo Di Si, CEO da Volkswagen para América do Sul e Brasil, revela-se apreensivo com a volatilidade do câmbio nas últimas semanas. Na última sexta-feira, 18, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,99 em casas de câmbio na cidade de São Paulo e a até R$ 4,20 no aeroporto de Guarulhos.

O principal executivo da montadora na região manifestou pessoalmente sua preocupação com a acentuada desvalorização do real frente à moeda norte-americana ao próprio Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em reunião na sede do Banco do Brasil, em São Paulo.

Acompanhado de Antonio Megale, diretor de Relações Governamentais da Volkswagen do Brasil e também presidente da Anfavea, Di Si aproveitou o encontro para detalhar ao ministro os planos e investimentos de R$ 7 bilhões no País, que culminarão com o lançamento de vinte modelos no mercado interno até 2020, a maioria com produção aqui e na Argentina, outra economia assolada agora por forte crise cambial e alta de juros.

Di Si, contudo, elogiou a atuação do Ministério da Fazenda. Segundo ele, a pasta comandada por Guardia desde abril, depois da saída de Henrique Meirelles, tem feito um “bom trabalho no combate à inflação, permitindo assim melhores condições para o desenvolvimento do mercado, como o automotivo”.

As vendas de automóveis no Brasil cresceram mais de 9% em 2017, após quatro anos de recuos. A evolução no primeiro quadrimestre de 2018 foi ainda mais acentuada: os licenciamentos no período chegaram a 762,8 mil veículos, crescimento de 21,3%. A Anfavea, contudo, ainda mantém sua previsão de crescimento da ordem de 12% no ano, para algo como 2,5 milhões de veículos leves e pesados.

A acelerada desvalorização do real nos últimos dias pode ser explicada por uma combinação de fatores, segundo Pedro Raffy Vartanian, coordenador do mestrado em Economia da Universidade Mackenzie:

“A alta dos preços do petróleo e a retomada do crescimento nos Estados Unidos exigirão um processo de elevação da taxa de juros internacional que, combinados com a incerteza decorrente do cenário eleitoral e o desequilíbrio fiscal no Brasil, provocam uma fuga de capitais da economia, resultando na forte valorização do dólar”.

Se a moeda norte-americana se mantiver valorizada por um período mais longo, não só os veículos importados terão sua competitividade no mercado interno abalada. Também os modelos nacionais, em especial os mais sofisticados, normalmente com maior número de componentes eletrônicos importados, podem ter os custos produtivos elevados e, consequentemente, cedo ou tarde, repassados para o consumidor final.

Fonte : AutoIndústria